Prefeito de Riacho de Santana aponta ações desenvolvidas no município para combate ao Covid-19

LUCIMAR ALMEIDA

Desde os primeiros alertas da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde, a Prefeitura Municipal de Riacho de Santana já começou a traçar as estratégias para o combate ao Novo Coronavírus (Covid-19). Atento às informações que recebia, juntamente com o secretário municipal de Saúde, José Santana Flores e sua Assessoria Jurídica, o prefeito Alan Antônio Vieira (PSD) já começou a esboçar as ações emergenciais que poderiam ser necessárias. Quando as medidas precisaram ser efetivamente adotadas, o Governo Municipal já estava estruturado e não houve, reforça o prefeito, foi possível implementar as medidas sem atropelo.

Em entrevista, por telefone, ao JS, o prefeito fez um relato das ações implementadas e da situação do município no combate ao Covid-19.

Confira os principais trechos da entrevista:

JORNAL DO SUDOESTE – Qual é a situação hoje, no município, do combate ao Covid-19?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA – Nós estamos, desde o início da crise, quando ainda não tínhamos, como de resto acredito nenhum gestor, a dimensão do problema, já adotando medidas no sentido de estarmos preparados para atender a eventuais casos e oferecer toda assistência necessária à população riachense. Criamos um Comitê de Crise, com do secretário municipal de Saúde, José Santana Flores, e participação de toda a equipe administrativa e jurídica, adotando medidas preconizadas pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde, e posteriormente a Secretaria de Saúde da Bahia, além de outras, que entendemos teriam de ser adotadas no âmbito do município, que estão assegurando a tranquilidade que temos de oferecer à população. Reforçamos a austeridade na gestão do erário municipal e editamos um Decreto declarando Situação de Emergência de Saúde Pública para combate ao Covid-19, dispensando servidores, exceto os da Saúde, com mais de 60 anos e gestantes de comparecer às repartições;  determinando que passageiros que chegarem ao município, oriundos de outros onde a propagação comunitária do vírus já tenha sido confirmada, sejam submetidos, no desembarque, a procedimentos de triagem, com medição de temperatura, nos terminais de transporte rodoviário e nas barreiras sanitárias que montamos nas entradas e saídas da cidade. No Decreto, também determinamos que os riachenses que estiveram ou retornaram de viagens nacionais e internacionais, principalmente de localidades onde o vírus já tenha transmissão sustentada, que permaneçam em isolamento domiciliar por sete dias e, no surgimento de qualquer sintoma (febre, sintomas respiratórios e tosse) sejam imediatamente atendidos nas Unidades de Urgência e Emergência, entre outras.

JS – Que outras medidas relevantes foram incluídas no Decreto?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA –  Fizemos constar no Decreto, observada a legislação pertinente vigente, a autorização para realização de despesas para a contratação de profissionais e pessoas jurídicas da área da Saúde, aquisição de medicamentos e leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Autorizamos, ainda, temporariamente, a Dispensa de Licitação para aquisição de bens, serviços e insumos de Saúde destinados ao combate ao Covid-19.

JS – E a questão do isolamento social?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA – Em outro Decreto, determinamos que a partir deste sábado (28), ficarão suspensas as Feiras Livres por um período de 15 dias, que poderão ser prorrogados, e as que forem autorizadas somente poderão comercializar alimentos e produtos de limpeza. Determinamos, também, o fechamento, por quinze dias, de todos os estabelecimentos comerciais do município, com exceção dos destinados à comercialização de produtos farmacêuticos, gêneros alimentícios e produtos de limpeza, embora permitindo que outros estabelecimentos possam atender à população através da modalidade delivery, desde que atenda às medidas de higiene e prevenção.

JS – Alguma penalidade prevista para quem desrespeitar as normas previstas nos Decretos?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA – Sim. Para preservar o interesse coletivo, no Decreto está previsto que os infratores poderão ter, sem prejuízo de sanções nas áreas cíveis e criminal, o Álvara de Funcionamento suspenso. São medidas austeras, mas que foram adotadas para evitar uma eventual propagação do vírus chegue ao município. Estamos, graças a Deus, tendo sucesso, até o momento, na proposta de manter Riacho de Santana foram das estatísticas do Covid-19 e, caso haja algum registro de paciente infectado, que nossa estrutura de Saúde seja suficiente para termos o controle da situação.

JS – Especula-se, prefeito, que os dados oficiais estejam subestimados no Brasil e as notícias do mundo mostram que há um significativo aumento no número de infectados e de mortes. Quais os números o senhor pode informar, existam em Riacho de Santana?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA – Graças a Deus não temos nenhum caso confirmado. Dos dois casos suspeitos, um já foi descartado e o outro aguarda resultado do Laboratório Central, de Salvador. Então, a situação, dentro do possível, é de tranquilidade, mas continua muito preocupante. Temos absoluta consciência da gravidade da situação e estamos adotando todas as medidas necessárias que estão ao nosso alcance e permitidas pela legislação para evitar qualquer surpresa. Até porque, é importante deixar claro, não temos estrutura, não apenas Riacho de Santana, mas a Bahia e o Brasil, para uma pandemia. Países da Europa e os Estados Unidos, como tem sido noticiado, não tem estrutura, imagina o Brasil. A pandemia poderá gerar e estamos conscientes disso, um colapso mundial, afetando todas as áreas, não apenas a econômica. Nós estamos focados e toda a equipe trabalhando na questão da prevenção, adotando medidas austeras, para evitar a propagação do vírus, observando as recomendações da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde, inclusive a determinação de isolamento social da população, que é a medida mais apropriada no momento.

JS – O isolamento social é, na opinião do senhor, uma medida eficaz para conter um possível avanço do Covid-19?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA –  Estamos certos que sim. Para nós é a única medida para evitar, nesse momento, a propagação do vírus é o isolamento social e isso tem sido fundamental. É a recomendação da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde e nós estamos adotando, e com um certo rigor. Temos utilizado todas as nossas forças, contado com o apoio da Polícia Militar, da Guarda Civil Municipal, de toda a equipe da Vigilância Epidemiológica e outros setores da Secretaria Municipal de Saúde, além de outros setores da Administração Municipal. Estamos todos focados nessa questão.

JS – As expectativas das autoridades e infectologistas, é que o pico da contaminação deverá ocorrer provavelmente a partir do final do mês de abril. Caso essa previsão ocorra, Riacho de Santana estará preparada para receber um grande número de pacientes?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA –  Nossa estrutura, como a de qualquer outra cidade, seja ela de grande, médio ou pequeno porte, não é adequada para enfrentamento de uma pandemia. Temos apenas 42 leitos – 39 nas Enfermarias e três na Emergência – no Hospital Municipal, não temos Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e apenas uma Sala de Cirurgia. Temos apenas dois respiradores. Temos uma Unidade de Saúde pronta para ser inaugurada, mas que estamos reservando a necessidade de termos um número grande de infectados com o Covid-19. E estamos preparados para adotar medidas emergenciais, como a compra de respiradores, mesmo sabendo das limtações do mercado. Essa, aliás, é uma preocupação, a falta de disponibilidade de equipamentos e insumos no mercado. Estamos adequando o Hospital, de acordo com as orientações do pessoal. Suspendemos o atendimento ambulatorial para que fique exclusivamente à disposição para atendimento de casos de urgência e emergência ou suspeitos do Covid-19. Colocamos equipes médicas para atendimento 24 horas por dia no Hospital, criamos uma ala para isolamento, se necessário, e estamos reforçando as orientações para que todo mundo fique em caso. No caso de suspeitas do Covid-19, quando o quadro não for grave, a recomendação também é ficar em casa, em isolamento domiciliar. Os casos ambulatoriais estão sendo transferidos para o PSF (Unidade de Saúde do Programa Saúde da Família) do Centro da cidade. É o que está ao nosso alcance e esperamos seja suficiente para atender à nossa população. Além disso, o Comitê de Crise está permanentemente em contato e pronto para adotar as medidas que forem necessárias para resolver a situação. Nossa prioridade no momento, repito, é a prevenção, é conscientizar a população a manter o isolamento social. São medidas duras, que tem impactos econômicos, mas que são absolutamente necessários.

JS – E em relação às ações da Administração Municipal, nas áreas da Infraestruturas, por exemplo?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA – Nesse momento, nós tivemos de optar pela paralisação de serviços não essenciais para reservar todos os esforços, pessoal e recursos para a área da Saúde, para enfrentamento da crise do Covid-19.

JS – A instalação das barreiras sanitárias e a determinação de isolamento social tem sido entendidos pela população?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA – A população tem sido parceira, tem colaborado muito. A transparência das informações tem ajudado muito, embora haja algumas resistências, poucos é verdade. Temos procurado atuar de duas formas, Educativa, através de contato pessoal, utilizando as Rádios e Mídias Sociais. Já os que insistem em não observar as normas previstas no Decreto, como bares e outros estabelecimentos, contamos com o apoio da Polícia Militar e deixando claro que não vamos hesitar em adotar as medidas previstas para quem não obedece o Decreto. E temos obtido resultados positivos, todos acabam entendendo e passa a colaborar.

JS – E quanto as barreiras sanitárias?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA –Tem sido muito importantes. Hoje temos o controle de todas as pessoas que entram no município, o endereço, telefone, de onde estão vindo, com nossos técnicos da área da Saúde aferindo suas condições clínicas e com informações básicas sobre sua saúde. Algo sem precedentes na cidade. Mas ainda temos preocupação com pessoas que podem estar entrando na cidade por outras fronteiras que fogem do nosso controle, por Matina, por Palmas de Monte Alto. Pessoas que podem não estar conscientes dos riscos que estamos correndo e entram de forma clandestina, evitando nossas barreiras. Nossa preocupação tem aumentado na medida em que temos casos confirmados muito próximo, como Brumado e Jequié, os dois importados de outros Estados.

JS – Qual a opinião do senhor em relação às recomendações do presidente da República e do governador do Estado em relação às medidas restritivas adotadas por alguns municípios, inclusive por Riacho de Santana?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA – Veja bem, eu gostaria muito que o presidente (Jair Bolsonaro) e o governador (Rui Costa) entendessem que nós precisamos manter a população isolada. Não podemos brincar com o Covir-19. O fato de não termos pacientes infectados não nos permite deixar de manter as medidas preventivas que são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde. Nós precisamos manter as fronteiras fechadas e as pessoas dentro de suas casas. Sei que a questão econômica ficará prejudicada, mas essa é uma preocupação para outro momento. O momento agora é de salvar vidas. Nada mais precioso, nada mais importante que salvar vidas. Nós vamos sofrer uma crise pós pandemia, isso é obvio. Mas, se enfrentarmos a crise com nossa população salva dos efeitos do Coronavírus, nós estaremos tranquilos, ficaremos felizes com isso. Então todas as medidas preventivas, todas as medidas duras, difíceis, muitas vezes da compreensão das pessoas, e até de alguns governantes que não levam essas questões a sério, nós vamos enfrentar isso, porque daqui a algum tempo, nós queremos ter a certeza, ter o alivio de dizer valeu a pena todo esse sacrifício.

JS – Com relação à vacinação contra a Influenza (H1N1), a Prefeitura de Riacho de Santana, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, adotou um esquema especial para garantir o atendimento à população e evitar a aglomeração, principalmente de idosos?

ALAN ANTÔNIO LACERDA –  O Comitê de Crise, juntamente com as equipes do Programa Saúde da Família e a Coordenação da Atenção Básica fizeram um planejamento para evitar as aglomerações, orientando os idosos e observando, nos Postos de Vacinação, a distância mínima entre as pessoas, além de realizar a vacinação ao ar livre. Temos também, casos em que as equipes estão indo às casas dos idosos, evitando o deslocamento. E trabalhando para atender ao maior número de pessoas possíveis, a vacina contra Influenza é muito importante. Até o momento tudo tem acontecido como previsto. Os casos em que as pessoas solicitam, estão sendo atendidos em casa. Mas é fundamental que a gente insista em afirmar que essa vacina não é contra a Covid-19 (Coronavírus), é a vacina de rotina contra a gripe.

JS – O senhor gostaria de complementar alguma informação?

ALAN ANTÔNIO VIEIRA – Apenas agradecer o espaço e renovar o apelo para que a população continue observando o isolamento social e atendendo as orientações que estão sendo dadas pelo pessoal da Saúde. Logo nós estaremos superando essa crise, se Deus quiser.

Redacão Jornal do Sudoeste

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