Que Brasil eu quero para o futuro? Um Brasil de VERDADE

Quero um Brasil que priorize a verdade, que a ponha acima dos próprios interesses, que a tenha na base de todos os projetos e propostas. Um Brasil onde a verdade seja uma constante nos atos e palavras de todo cidadão. Considerando que ela faz parte da construção de todos os valores que uma sociedade precisa para evoluir. Não existe justiça sem verdade, assim como também não existe honestidade e respeito.

 

Sou uma pessoa incomodada com a ausência de verdade tanto no Brasil como em outros países. No Rio de Janeiro, recentemente um homem atropelou varias pessoas em Copacabana e alegou ter tido um ataque de epilepsia, no entanto “negou a verdade” no exame do DETRAN, que apesar de rasurado, informou não ser epilético.

 

Os Estados Unidos teve um número maior de vitimas por “não procurar a verdade”. O Médico de Federação de Ginástica e da Universidade de Michigan, Larry Nassar abusou sexualmente de varias jovens por 20 anos, pois a universidade não procurou a verdade quando surgiram as primeiras denúncias. Em 1998 uma estudante atleta da Michigan State University (MSU) denunciou Nassar para professores e treinadores, mas a universidade “não conseguiu tomar nenhuma ação”, ou seja, não fez nada.  Veja em: https://www.usatoday.com/pages/interactives/larry-nassar-timeline/

 

A Universidade, como instituição de ensino que se propõem a pesquisar e promover o conhecimento deveriam pelo menos valorizar um pouco mais a verdade e não busca-la somente quando é conveniente a seus interesses. Na Espanha, eu passei pelo menos 6 meses ouvindo desculpas de uma professora da universidade e sem poder avançar nos meus trabalhos, quando cansei de ouvir mentiras e ser tratada com tamanho desrespeito, parei e denunciei a mesma ao departamento do curso, depois à ouvidoria e por último à reitoria da Universidade. No entanto a minha denuncia também não deu em nada, terminei abandonando o curso, e a professora provavelmente seguiu com seus abusos, mentindo, prejudicando e desrespeitando outros alunos. Depois fiquei sabendo que outros professores, em outros cursos, também faziam o mesmo.

 

Martin Luther King Jr já dizia “Aquele que passivamente aceita o mal é tão cúmplice quanto aquele que ajuda a cometê-lo. Aquele que não protesta contra o mal, na verdade, coopera com ele.”.

 

No entanto a maioria dos alunos se cala diante do errado por medo de ser ainda mais prejudicado e provavelmente foi o que aconteceu com vítimas de Larry Nassar. Com medo de se atrasarem ou se prejudicarem mais ainda em suas carreiras algumas jovens se calaram na época e ele continuou com sua prática por 20 anos. Outro receio que também surge nesse momento é pela falta de provas para fazer a denúncia, e também por não darmos à verdade o seu devido valor. Penso que a obrigação de quem vai fazer uma denúncia é simplesmente falar a VERDADE, a de procurar provas cabe à polícia e aos investigadores.

 

Outro aspecto, que hoje me parece importante, é que as denuncias sejam feitas aos jornais, fora das universidades, pois o interesse dessas é de abafar o ocorrido para proteger a imagem da instituição. É preciso denunciar professores e universidades que estão desrespeitando os alunos ou praticando algum outro tipo de abuso até que isso se acabe, e a mídia pode ser uma grande aliada nessa missão. Observe que o caso desse médico só chegou aos tribunais quando o The Indianapolis Star (ou Indy Star) publicou a reportagem “Out of Balance” em 4 de agosto de 2016, denunciando os abusos sexuais. Veja em: http://observador.pt/especiais/larry-nassar-a-historia-do-monstro-que-abusou-de-centenas-de-atletas-durante-mais-de-20-anos/.

Rosita Capelo Fonteles

Rosita Capelo Fonteles

Doutoranda em Psicopedagogia na UAH (Universidad de Alcalá de Henares), Espanha e pesquisadora de proposta educativa voltada para o desenvolvimento humano;  autora do programa Cinquenta Minutos de Valores Humanos para o Ensino Superior (disponível gratuitamente em:http://www.cincominutos.org/cinquenta.minutos.htm); membro da equipe pedagógica do Programa Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola; especialista em Educação Biocêntrica pela UECE (Universidade Estadual do Ceará); especialista em informática pela UFC (Universidade Federal do Ceará); licenciada em letras pela UECE, Brasil.
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