Rede UniFTC premia mulheres negras com bolsas integrais para o curso de Jornalismo em Salvador

Por Ascom/ Rede UniFTC

 

 

Gisele Santos Soares, 28 anos e Caroline Xavier de Almeida, 22 anos, mulheres pretas, moradoras da periferia de Salvador, unidas por um sonho: entrar na faculdade e receber o diploma de jornalistas. O sonho tornou-se mais próximo quando decidiram participar do concurso “Raoni é 10”, promovido pela Rede UNIFTC em parceria com o jornalista Raoni Oliveira, ex-estudante da Instituição de Ensino, que tinha o objetivo de premiar duas mulheres com bolsas integrais de estudo para o curso de Jornalismo oferecido pelo Centro Universitário.

Gisele, que trabalha desde nova e sustenta a família com o salário que recebe como professora de dança afro e ballet infantil em Salvador, até já tinha conseguido entrar em outra faculdade, aos 17 anos, mas as dificuldades do dia a dia logo colocou o sonho em um lugar distante. “Eu entrei acreditando que iria me formar, trabalhar e conquistar todos os meus sonhos. Mas, infelizmente, não foi assim, eu tive que abandonar os estudos porque não estava conseguindo conciliar com o trabalho e com as dificuldades que enfrentei nesses caminhos. Sou uma mulher preta, mãe, que passou a entender que mesmo em tempos tão modernos, fazer uma graduação ainda é um privilégio, sim é uma virtude poder só estudar e não precisar escolher se vai comer ou pagar uma mensalidade ou transporte”, disse ela emocionada.

Para Gisele, ter conseguido ser uma das beneficiadas não é apenas a realização de um sonho, mas uma quebra de paradigma nas estatísticas. Isso porque, um estudo realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2020, demonstrou que apenas 23% dos jornalistas brasileiros atuantes no país são negros. “Este momento representa uma quebra das estatísticas pré-definidas para os nossos corpos pretos. Digo isso, pois minha mãe não conseguiu concluir o ensino fundamental e meu pai não passou do ensino médio”, alertou Gisele com a certeza no olhar de quem vai proporcionar uma mudança de vida para si e para quem acredita nela.

Outra vida que será transformada, por intermédio do concurso promovido pela Rede UniFTC em parceria com Raoni, é da produtora de conteúdo digital, costureira e dançarina afro, Caroline Xavier de Almeida. Mãe da pequena Luara, Caroline conta que encontrou no concurso a possibilidade de voltar a sonhar, já que, também, chegou a cursar um semestre de Jornalismo em outra instituição de ensino, mas teve que trancar por questões financeiras e pela descoberta da sua gravidez.

“Tinha viva em mim a esperança de retornar ao espaço acadêmico e conseguir concluir este meu propósito. O Jornalismo é muito importante na minha vida. Gosto de noticiar ideias, divulgar alegrias e desabafos e, com isso, transformar positivamente a vida das pessoas através da Comunicação. Não estou realizando esse sonho sozinha, porque outras pessoas imaginaram isso junto comigo; pessoas que se inspiram em mim, que querem me ver no topo dos meus objetivos, como minha família, amigos  e até desconhecidos. Isso me deixa mais feliz e forte”, finalizou

Para garantir as duas bolsas integrais, oferecidas como premiação do concurso, Caroline e Gisele tiveram que gravar uma vídeo-reportagem com o tema “Sobre qual história o mundo precisa conhecer” e postá-la nos perfis da plataforma Instagram, usando a hashtag #raonié10. Carol optou pelo recorte “Mães na Pandemia”, retratando sua realidade, vivida dia após dia durante este período. Enquanto Gisele abordou o tema “Paternidade Afrocentrada”.

Era pré-requisito do concurso ter entre 17 e 28 anos, ser moradora da periferia de Salvador ou da região metropolitana e ter cursado o ensino médio em escolas públicas. Ao todo, foram quase mil inscrições que passaram pela avaliação das juradas Tainá Reis, Maíra Azevedo e Luana Assiz. Elas chegaram a 10 semifinalistas e o voto popular escolheu Carol e Gisele.

De acordo com a vice-presidente de Marketing e Relacionamento da Rede UniFTC, Milena Oliveira, além de impulsionar o crescimento de uma educação moderna, utilizar ferramentas tecnológicas, digitais e metodologias ativas no aprendizado, o movimento social engrandece a instituição. “É uma forma de ajudar o próximo e garantir a mais pessoas o acesso a uma educação de qualidade. Temos um projeto pedagógico destinado à formação e ao desenvolvimento de profissionais do futuro. Somos um organismo vivo e nosso propósito é acelerar o Movimento do Bem da Rede UniFTC”, enfatizou a Milena.

Para o jornalista formado pela Rede UniFTC e parceiro da instituição neste projeto, Raoni Oliveira, o período foi de reflexão sobre desigualdade de oportunidades e a forma como a sociedade trata as mulheres. “A educação pode mudar vidas. Assumimos este compromisso social. Ainda serão promovidas mais oportunidades. O movimento não pode parar”, concluiu o jornalista.

 

 

Foto de Capa: Divulgação.

Jornal do Sudoeste

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