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Refletindo sobre a mentira “boa”

Em 01/04/2018 quando o domingo de páscoa coincidiu com o dia da mentira o Fantástico nos contou o que acontece com o cérebro quando mentimos. E enfocou a “mentira boa”, veja em:http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2018/04/neurocientista-mostra-o-que-acontece-com-o-cerebro-quando-mentimos.html.  

De acordo com a reportagem a mentira ruim deixa a pessoa nervosa, ansiosa, suando e está associada ao medo, vergonha e culpa. Também destaca que o sucesso da experiência promove a sensação de prazer, que serve de incentivo a repetição, conduzindo assim a pessoa ao habito de mentir. A mentira boa, por sua vez, foi considerada como a mentira do bem, “aquela que se conta pra continuar o relacionamento do dia-a-dia com as pessoas”, pra não magoar, não deixar o outro triste e foi relacionada à caridade.

No entanto sendo boa ou ruim a “Mentira é a afirmação de algo que se sabe ou suspeita ser falso; não contar a verdade ou negar o conhecimento sobre alguma coisa que é verdadeira. A mentira é o ato de mentir, enganar, iludir ou ludibriar.”. A prática da “mentira boa” se identifica muito com a da “desculpa”, ambas visam o bem, negam a verdade, fortalecem na pessoa a crença de poder e a capacidade de enganar o próximo.

Na reportagem um psiquiatra declara que a mentira gera tensão, pela dúvida, “será que a pessoa está mentindo ou falando a verdade?”, e assim a pessoa vai se frustrar muito e vai errar mais do que acertar”. Portanto a mentira semeiam a desconfiança e contribui para mais erros. Precisamos livrar a nossa sociedade desse mal, raiz de muitos outros, inclusive o da corrupção.      

A mentira boa, ou mesmo a “desculpa”, com a prática vira hábito também e a pessoa perde a dificuldade que inicialmente tem ao mentir, perde a vergonha e o sentimento de culpa, da mesma forma que ocorre com a mentira ruim. Mas se o proposito da mentira boa é fazer o bem porque a verdade não pode ser usada no lugar da mentira? A mentira acaba sendo o caminho mais fácil, com a prática é mais cômodo inventar uma mentira que explicar e fundamentar uma realidade.

Existe também a crença de que a verdade pode magoar o outro e a mentira boa vem para evitar o sofrimento de um lado e o constrangimento do outro, ajudando inclusive a zelar pela imagem de bom moço de quem mente.  Talvez a mentira seja como a doença, não existe boa, é ruim em sua própria essência, assim como a doença é ruim pela ausência da saúde, a mentira é ruim pela ausência da verdade. Será que não conseguimos falar somente a verdade, sem abrir mão da delicadeza e da generosidade?  Podíamos tentar.

Pode ser um passo significativo na direção do bem, da paz e do progresso. Assim também estaremos trocando a hipocrisia pela sinceridade, valorizando mais a essência que a aparência, favorecendo o perdão e a humildade, contribuindo para uma sociedade de amor e alegria, quando sairmos das trevas da mentira para a luz da verdade.

Rosita Capelo Fonteles

Rosita Capelo Fonteles

Doutoranda em Psicopedagogia na UAH (Universidad de Alcalá de Henares), Espanha e pesquisadora de proposta educativa voltada para o desenvolvimento humano;  autora do programa Cinquenta Minutos de Valores Humanos para o Ensino Superior (disponível gratuitamente em:http://www.cincominutos.org/cinquenta.minutos.htm); membro da equipe pedagógica do Programa Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola; especialista em Educação Biocêntrica pela UECE (Universidade Estadual do Ceará); especialista em informática pela UFC (Universidade Federal do Ceará); licenciada em letras pela UECE, Brasil.
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