Refluxo gastroesofágico: Azia, queimação, dor de garganta e tosse constante podem ser sinais de alerta

Sensações que causam desconforto podem ser amenizadas com mudanças no comportamento diário

Por: Camila Crepaldi 

Azia, regurgitação e aquele gosto azedo na boca são sensações que causam desconforto e sinais de um possível diagnóstico de refluxo. A cada três ou quatro horas o estômago produz uma maior quantidade de ácido para auxiliar na digestão dos alimentos. “Conhecido clinicamente como DRGE-Doença do Refluxo Gastroesofágico, ela acontece quando esse líquido reflui do estômago e sobe pela parede do esôfago. Essa ação pode ser classificada como ácida ou não ácida, de acordo com o grau de acidez de seu conteúdo”, explica o médico cirurgião e professor da Unime, Frederico Vila.

O que pouca gente sabe é que, em determinadas circunstâncias, esse composto ácido pode atingir a região das cordas vocais, causando o refluxo laringofaríngeo, onde tosse constante e rouquidão são sintomas frequentes.

Veja as características, sintomas e tratamento para cada uma das variações.

Refluxo gastroesofágico

Refluxo gastroesofágico é o retorno do conteúdo presente no estômago para o esôfago. Episódios isolados dos sintomas podem ser comuns, no entanto a repetição dos sinais pode indicar que há a doença e precisa ser acompanhada por um especialista.

Os sintomas mais clássicos são a azia (queimação) e regurgitação (retorno de conteúdo ácido ou com alguns restos alimentares), ocorrendo mais durante o sono. Já o tratamento envolve o uso de medicamentos que reduzam a acidez do suco gástrico, cicatrizando as lesões provocadas, não esquecendo de avaliar hábitos e rotina que podem minimizar os desconfortos. Em alguns casos, indica-se o tratamento cirúrgico.

Refluxo laringofaríngeo

Ocorre quando o conteúdo do estômago sobe para as partes mais altas do esôfago e chega na transição com o sistema respiratório, podendo atingir a boca, faringe e laringe, por exemplo. Quando isso ocorre, há uma irritação dessa região e além de queimação, o indivíduo pode ter tosse, pigarro, ardor na garganta rouquidão e cansaço ao falar ou cantar. Nos casos mais sérios, principalmente em crianças e idosos, podem surgir otites e sinusites de repetição, além de pneumonias e outras alterações pulmonares. Exames como a nasofaringolaringoscopia, endoscopia digestiva, pHmetria, biópsia, e exames radiológicos podem ajudar na identificação da doença. O tratamento cirúrgico pode ser uma solução, quando indicado pelo médico que acompanha o histórico do paciente.

Segundo Dr. Frederico Vila, os sintomas e agravamento da doença podem prejudicar a qualidade de vida dos pacientes provocando interferência no sono, dor de garganta recorrente, asma, erosões dentárias, infecções recorrentes das vias aéreas superiores, como otites e sinusites, mau hálito, dentre outros; e destaca que os caminho para a prevenção e minimização dos sintomas é o mesmo. “A importância de se ter um diagnóstico preciso possibilita um tratamento adequado para evitar consequências mais graves como úlceras e estreitamentos esofágicos ou, até mesmo, câncer de esôfago. Mudanças no comportamento diário fazem toda a diferença para inibir o surgimento da doença. Controle do sobrepeso e das circunferências abdominais, mastigação prolongada dos alimentos, evitar refeições ricas em gorduras/frituras, evitar líquido durante as refeições, aguardar pelo menos 2 horas após as refeições para deitar-se, cessar o tabagismo, reduzir o consumo de álcool, condimentos e café são as principais recomendações”, completa.

A doença do refluxo gastroesofágico afeta aproximadamente 27% dos adultos e 7-20% da população pediátrica. Há uma incidência semelhante em ambos os sexos, e os estudos mostram aumento do risco de ocorrência com a idade. Mas é preciso considerar que fatores de risco, tais como obesidade, tabagismo, alimentação inadequada e presença de hérnia de hiato; predispõem a sua ocorrência, fazendo com que a doença possa surgir em qualquer idade.

 

 

 

Foto de Capa: Reprodução Freepik

 

 

Jornal do Sudoeste

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