Respeito SIM, Recompensa NÃO

Onde erramos no país da corrupção? Talvez em vários aspectos que merecem reflexão para não continuarmos gerando novos corruptos. Observe sutilmente a presença da recompensa na formação do corrupto.

Em casa alguns pais quando não conseguem educar os filhos conscientizando de suas obrigações, direitos e deveres, apelam para a recompensa. Se o filho passar de ano ganha um premio, algo que o filho queira. A criança por sua vez aprende a valorizar a recompensa, ignorando seus deveres e obrigações. Em situação de violência domestica, depois da agressão, algumas vítimas são presenteadas por seus agressores. Falta o respeito, mas vem a “recompensa” pelo silêncio ou pelo perdão da vitima.

Nas instituições de ensino o papel do educador é de facilitar a aquisição de novos conhecimentos e não mentir ou enganar alunos, alguns podem pensar que assim estarão criando dificuldades que vão fortalecer a resistência dos mesmos. Assim como encontramos também educandos tentando enganar educadores para se beneficiarem. Mas onde não existe verdade dificilmente haverá bom resultado. O que fortalece o lado luz da pessoa é o amor, a verdade e exemplos de virtude.

Com os maus exemplos posteriormente, no mercado de trabalho, o educando pode seguir com a mesma conduta, faltando com a verdade e supervalorizando as recompensas. Se vende, sem se preocupar com o certo ou errado. Se um superior comete um delito ele se cala e aceita as recompensas pelo silêncio, passa a agir de acordo com as compensações. Mas quem aceita recompensa por algo que acredita ser errado não se respeita.

Na nossa sociedade não é de se admirar que hoje o governo precise oferece recompensa por denuncia de corrupção. Se houvesse consciência de que se deve fazer o que é certo, se denunciaria o errado sem precisar de recompensa. O comportamento do corrupto é desrespeitoso e se apoia na recompensa, na chantagem, em uma negociação que fere a dignidade humana e promove a violência.

O adestramento de um cão, por exemplo, também se faz através de recompensa, quando o cão faz o que o adestrador quer ele é recompensado, e a repetição é a chave do adestramento. Apesar dos exemplos de corrupção se repetirem frequentemente na nossa sociedade, através da reflexão e consequentemente da compreensão é possível mudar, favorecendo assim a formação do caráter de um cidadão de bem. O nosso racional nos difere dos animais irracionais, não somos cães, precisamos refletir e exigir RESPEITO.

Provavelmente em vários momentos ao longo da formação do brasileiro estamos errando, em casa, nas instituições de ensino, na sociedade, e perpetuando a formação de corruptos. Então vale lembrar a campanha da Globo: “Tudo começa pelo Respeito”. Por um Brasil sem corrupção:Respeito SIM, Recompensa Não.

Rosita Capelo Fonteles

Rosita Capelo Fonteles

Doutoranda em Psicopedagogia na UAH (Universidad de Alcalá de Henares), Espanha e pesquisadora de proposta educativa voltada para o desenvolvimento humano;  autora do programa Cinquenta Minutos de Valores Humanos para o Ensino Superior (disponível gratuitamente em:http://www.cincominutos.org/cinquenta.minutos.htm); membro da equipe pedagógica do Programa Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola; especialista em Educação Biocêntrica pela UECE (Universidade Estadual do Ceará); especialista em informática pela UFC (Universidade Federal do Ceará); licenciada em letras pela UECE, Brasil.
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