Roda de conversa aborda empreendedorismo de mulheres negras

Por ASCOM SETRE Comunicação

 

Os desafios do afroempreendedorismo feminino foram debatidos nesta segunda-feira (29), em uma roda de conversa no auditório da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), em Salvador. O encontro, que fez parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, reuniu quatro empreendedoras que já foram contempladas por programas e projetos do governo do estado.

“São experiências que precisam ser fortalecidas e multiplicadas porque a base objetiva do empoderamento feminino, além da consciência, é a autonomia financeira”, destacou o titular da Setre, Davidson Magalhães, na abertura do debate, que teve como tema “Mulheres Negras e Afroempreendedorismo: Inovação e Fomento”.

As participantes relataram suas trajetórias na gestão de negócios e destacaram barreiras que precisam ser vencidas, entre elas a dificuldade de acesso a crédito, burocracia na formalização e ausência de capital de giro.

“Hoje estou empregando 12 pessoas, mas se tivesse um capital maior conseguiria chegar a 20”, contou Ana Telles, que abriu seu primeiro salão de beleza, o Cacho de Fibras, depois de passar pelo curso de cabeleireira do Programa Qualifica Bahia. Atualmente, ela conta com três unidades em Salvador e desenvolveu uma linha própria de cosméticos capilares, com entregas em todo o Brasil.

Investimentos públicos

Bióloga e doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Sueli Conceição está à frente da Botica da Rede de Hortos de Plantas Medicinais e Litúrgicas (Rhol), localizada no Pelourinho, na capital baiana. O espaço comercializa plantas in natura e desidratadas, adubos, cosméticos naturais, além de outros itens relacionados à religiosidade afrodescendente.

Inaugurada no final de 2017, a loja é fruto de um dos 54 projetos contemplados pela Setre, por meio do Edital de Apoio aos Empreendimentos Solidários de Matriz Africana. “As políticas públicas são fundamentais para a emancipação das comunidades tradicionais e possibilitam, inclusive, desonerar o estado, pois contribuem para a conquista da autonomia”, defendeu Sueli, durante a apresentação.

Conexão Trabalho

Duas das iniciativas expostas na roda de conversa foram impulsionadas pelo curso de empreendedorismo da caravana Conexão Trabalho, realizada pela Setre no ano passado. “Decidimos reunir algumas mulheres negras de axé que fizeram o curso para trabalhar em rede. Formamos o coletivo Alaafia e a partir daí eu criei a marca Casulo, uma loja virtual de roupas africanas”, explicou Eliene Vale, que atua também no ramo de ótica, com serviço personalizado de atendimento domiciliar.

Já Karine Santos é idealizadora e CEO do Wakanda Warriors, iniciativa voltada para a educação empreendedora. A aceleradora de empreendimentos foi formada após a participação no curso do Conexão Trabalho. “O nosso público alvo é quem empreende por necessidade. Desenvolvemos a metodologia de imersão prática e, com uma linguagem acessível, promovemos formação voltada para a realidade local, traduzindo conteúdos complexos de empreendedorismo”, explicou.

Uma intervenção poética foi realizada por Maiara Silva, do Sarau da Onça, grupo que se originou no bairro de Sussuarana, em 2011, unindo jovens de comunidades periféricas de Salvador em torno da poesia e da música.

Para discutir estratégias de fomento para o segmento, representantes das secretarias estaduais de Políticas para as Mulheres (SPM); Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS); Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) e Desenvolvimento Econômico (SDE); da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia); e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) também marcaram presença no evento.

Jornal do Sudoeste

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