Sinjorba repudia detenção de jornalistas e exige retratação por parte do Governo do Estado

Da Redação*
Na última sexta-feira, 14, na região de Pojuca, litoral norte da Bahia, dois jornalistas da Revista Veja, o repórter Hugo Marques e o fotojornalista Cristiano Mariz, foram abordados pela Polícia Militar e levados à uma delegacia para interrogatório.
Os jornalistas encontravam-se em exercício profissional e apuravam a morte do ex-capitão Adriano da Nóbrega, que é acusado de ser chefe da Milícia Escritório do Crime e, segundo a Veja, tem ligações com o senador Flávio Bolsonaro, chegando, inclusive, a ser homenageado pelo parlamentar em 2003, quando ele integrava a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
No mesmo dia do fato, o Sindicato dos Jornalistas do Estado da Bahia (Sinjorba) tornou pública uma nota de repúdio em relação à detenção dos jornalistas, deixando claro o quanto a postura da Polícia só ajuda a alimentar suspeitas de que há mais elementos envolvidos na morte de Adriano da Nóbrega do que foram revelados até então e exigindo uma retratação por parte do Governo do Estado da Bahia.
Confira a nota na íntegra:
“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) manifesta veemente repúdio pela prisão, nesta sexta (14), de dois jornalistas que apuravam as circunstâncias da morte do ex-capitão Adriano da Nóbrega, acusado de ser chefe da Milícia Escritório do Crime, após “confronto” com a Polícia Militar da Bahia, em Esplanada (BA), domingo passado.
Os dois jornalistas da revista Veja, Hugo Marques e Cristiano Mariz, estavam em pleno e livre exercício profissional e se identificaram quando abordados pela viatura da PM-BA. Mesmo assim, foram conduzidos a uma delegacia e tiveram o gravador de trabalho inspecionado, antes de sua devolução, em claro sinal de intimidação a consecução de suas tarefas.
A Constituição do Brasil garante a liberdade no trabalho da imprensa, preceito magno que vem sendo atropelado pelas autoridades de Segurança Pública. Vivemos um quadro de clara intimidação a quem tenta cumprir o papel social do jornalismo: informar os fatos, de forma transparente e responsável, aos cidadãos brasileiros.
Uma morte cujas circunstâncias e motivações são cercadas de dúvidas impõe que o trabalho da imprensa seja livre de sanções, para um melhor acompanhamento das investigações e divulgação dos fatos. O ocorrido com os dois jornalistas da Veja só ajuda a alimentar as suspeitas de que há mais a se informar do que foi até agora revelado.
O Sinjorba exige do Governo do Estado uma retratação e, sobretudo, uma mudança de postura dos agentes policiais para que cessem os abusos contra o trabalho da imprensa na Bahia.”
Foto: Divulgação/Sinjorba.

Jornal do Sudoeste

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