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Um Mundo Digital Utilizado por Seres Analógicos

As Redes Sociais são estruturas digitais, baseadas em softwares desenvolvidos e instalados em sítios da Internet (sites), surgiram nos últimos vinte anos e servem para aproximar os interesses comuns das pessoas.

O mundo contemporâneo assiste uma invasão da tecnologia na vida das pessoas. Antes da década de 1970, nada disso estava disponível. O sinal da Internet está cada vez mais amigável e no Brasil existem mais de 100 milhões de telefones celulares, uma boa fatia, são “smartphones” além dos outros dispositivos eletrônicos: Desktop, Notebook ou Ultrabook, Tablet, E-reader, Smart TV, Videogames, todos dão acesso às Redes Sociais.

E quais são os efeitos provocados?

Na geração “Z” composta por pessoas nascidas entre 1994-2010, a primeira nativa destas tecnologias, apresenta novos comportamentos, está no caminho para atingir a vida adulta e oferece um enorme contingente de usuários. A compreensão dos resultados produzidos nelas pode facilitar o entendimento dos efeitos sociais: na família, trabalho e educação.

O ensino tradicional está impactado com mudanças e existe um ponto importante a ser explorado: A possível relação entre o uso das tecnologias e as alterações no desempenho e relacionamento escolar. A quantidade de horas diárias destinadas ao uso de tecnologias, muitas vezes, diminuem a interação com a família e o estudo. Cuidadores, familiares e professores relatam o mau comportamento e faltas éticas relacionadas ao abuso na utilização de equipamentos eletrônicos.

A comunicação através da Internet móvel oferece entretenimento, tem papel crucial na vida dos estudantes e jovens adultos, especialmente da geração “Y”, conhecida como “geração do milênio” (1980 até 1994), uma grande parte da população economicamente ativa está composta por estes indivíduos, diferente das anteriores, profissionalmente não demostram preocupação de fazer carreira numa única empresa ou atividade, talvez no pensamento deles seja um modelo em extinção, encontram-se “conectados” e não hierarquizam o mundo.

As gerações “X” (1965 até 1979) e a “Baby Bommer”, indivíduos nascidos do pós-guerra, de 1946 até 1964, são influenciados pelos mais jovens e aderem, cada vez mais, ao uso das Redes. Crianças da geração “Alpha”, após 2011, com apenas três anos, se eles têm acesso aos dispositivos eletrônicos, entendem como funcionam, mas não sabem ainda amarrar os cadarços do sapato ou andar de bicicleta. São os próximos desta lista de adesões!

Existem dezenas, quem sabe, centenas de milhões de pessoas que verificam seu e-mail, notícias e mídias sociais, antes mesmo de sair da cama. Os perigos são claros, por ser difícil delinear até onde esta prática é uma necessidade veemente, distração ou obsessão.

Surgem cada vez mais dificuldades de deter a atenção integral às atividades cotidianas, sem foco, a interpretação dos eventos passa a ser difusa, existe muita reprodução de informação e pouca profundidade na aquisição do conhecimento. Algumas pessoas parecem estar ligadas cirurgicamente aos equipamentos eletrônicos, quando perdem ou esquecem os seus dispositivos longe de si demonstram efeitos parecidos ao vício ou compulsão, similares da “abstinência química”. Hoje ainda é difícil prever as consequências reais destas práticas.

Uma verdade: os smartphones são companheiros inseparáveis e estão desde a pia do banheiro, no bolso, conectados ao carro ou na mesa do jantar.

As mudanças do comportamento humano são naturais, sempre existiram, mas de forma tão veloz e digital como ocorre agora, promovem alterações cognitivas, psíquicas e sociais. Os meios eletrônicos descartam a interação face a face, embora o indivíduo possa “conectar” com centenas ou as vezes milhares de pessoas, ele começa a sentir-se mais solitário e os relacionamentos parecem ser menos compensatórios.

A tecnologia impacta e causa uma revolução em toda a sociedade planetária, levando as pessoas ao mundo “on-line”. Tudo parece estar disponível sempre que desejam, no entanto, os seres humanos são “analógicos” e as necessidades biológicas, desejos e emoções representam um elo fraco do mundo digital, porque, as máquinas estão “livres” da carência afetiva.

Marcelo Pelucio

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