Um País parado por nada

16 de fevereiro. Olho a cidade morta. O silêncio de cemitério só é rompido, vez por outra, pelo motoboy que  passa levando remédio a alguém.

Não me restam dúvidas. Vivemos, também, uma pandemia da tolice. Sinto vontade de recitar a consigna universal dos grevistas: “Por que, parou? Parou por quê?”. Ninguém responde porque a resposta é a confissão de uma imensa asneira nacional.

Quem se arriscaria a dizer que paramos porque é carnaval?

Carnaval? Onde? Como? Quando? Carnaval nesse silêncio, como se houvesse um lockdown com tropas nas ruas?

O Brasil que já parou por muitos motivos fúteis, nunca parou tanto e nunca parou por nada, como hoje.

Graças ao modo brasileiro de ser, o carnaval é uma festa pagã que, por tanto transbordar a taça das liberdades, pediu vaga no calendário nacional. Posso não gostar, mas admito. No entanto, neste ano não há festa alguma! Elas estão proibidas em virtude da pandemia causada pelo coronavírus.

Mantido o feriado, as pessoas foram concentrar-se nas praias onde ocorrem festas em tudo avessas às necessárias medidas de distanciamento e proteção. Então, para-se o país para que não aconteça o que acaba acontecendo porque o país parou.

Não precisa explicar, leitor amigo. Como o macaco Sócrates, eu só queria entender.

Percival Puggina

Percival Puggina

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
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