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Vereador do PCdoB sinaliza rompimento com a Administração do prefeito Eures Ribeiro

Eleito para seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Bom Jesus da Lapa com apoio da Igreja Católica e dos movimentos sociais, Romeu Thessing, antes mesmo de entrar na vida pública já se destacava pela firmeza de posicionamentos e pela intransigente defesa da ética e do respeito a compromissos assumidos.

Gaúcho de Venâncio Aires, filho de sem-terra e órfão aos sete anos, Romeu Thessing sempre foi muito ligado à Igreja católica. Ex-seminarista, com graduação incompleta em Teologia e Filosofia, chegou a Bahia, mais precisamente a Serra do Ramalho, em 1982, como missionário leigo. Durante dezoito anos foi Diretor Comercial da Rádio Bom Jesus, pertencente à Diocese da Igreja Católica. Ao ingressar na vida pública, Romeu Thessing afastou-se da atividade radiofônica alegando ser moral e eticamente incompatível que um agente público atue na imprensa. “São poderes diferentes”, resume.

Ao optar pelo apoio à candidatura à reeleição do prefeito Eures Ribeiro Pereira (PSD), com quem a mais de vinte anos militava politicamente, Romeu Thessing teria deixado claro, segundo fontes ouvidas pelo JS, que não abriria mão da independência e da intransigente defesa dos interesses da coletividade, particularmente do homem do campo, que considera o pilar de sustentação do desenvolvimento econômico. “De nada adianta os grandes empreendimentos se não tivermos o pequeno produtor rural para abastecer as mesas”, aponta o vereador, que deixa claro entender que o alicerce do desenvolvimento econômico passa pelo desenvolvimento do pequeno e médio produtores rurais.

Eleito, Thessing manteve a coerência e, embora comprometido com o apoio à Administração Municipal, posicionou-se sempre na defesa da coletividade, contrariando em diversas ocasiões propostas defendidas pelo Governo Municipal.

Em nome da coerência e sintonizado com as ruas, negou-se a apoiar o projeto que instituiu o pagamento de 13º salário e adicional de férias aos vereadores, devolvendo os valores recebidos ao erário, o que tem causado, segundo revela, uma reação dos demais membros do Legislativo. “A maioria passa por mim e sequer me cumprimenta”, lamenta.

Na última semana, o vereador Romeu Thessing (PCdoB) recebeu a reportagem do JS em seu gabinete na Câmara Municipal, onde permanece dando expediente mesmo durante o recesso parlamentar, para uma entrevista exclusiva, na qual fez duras críticas aos Governos Federal, do Estado e Municipal e sinalizou claramente para o rompimento da aliança política com o prefeito Eures Ribeiro Pereira (PSD). “Eu já havia deixado claro, em junho do ano passado, que não mais estaria alinhado com a Administração Municipal, que estava rompendo não com o prefeito Eures Ribeiro, mas justamente com aquilo (modelo de gestão e ações) que entendo não ser correto. Então a opção por conduzir o meu mandato, a minha caminhada política com independência”, apontou.

Confira os principais trechos da entrevista:

Governo Federal

Para o vereador Romeu Thessing o Governo do presidente Michel Temer (PMDB) é “lerdo e corrupto” e, por falta de legitimidade tem negociado a governabilidade e quem está e vai continuar pagando a conta é o povo.

Governo Rui Costa (PT)

Em relação ao Governo do Estado, que tem como um dos principais aliados o PCdoB, o vereador Romeu Thessing não poupou adjetivos depreciativos ao fazer uma avaliação da atuação do Estado em favor da população, notadamente da parcela mais vulnerável socioeconomicamente, de Bom Jesus da Lapa.

“O Governo do Estado discursa muito e não pratica nada”, apontou o comunista enumerando uma série de ações e intervenções que dependem de investimentos do Estado e teriam sido prometidas pelo governador Rui Costa e que não saíram do papel.

Entre as promessas não cumpridas pelo governador, segundo Thessing, uma comunidade ribeirinha ao Rio São Francisco, distante cerca de quatro quilômetros da sede municipal, Vila Mariquinha, uma das maiores produtoras de hortigranjeiros do município, onde vivem aproximadamente cem famílias, vive em total abandono. Sem água potável, a comunidade é servida por carros-pipa, que precisam ser, segundo o vereador, “mendigados e demoram muito para chegar”. Romeu Thessing destacou que o Governo do Estado perfurou um poço artesiano em 2014 que deveria atender à localidade, mas que nunca foi instalado. Na mesma localidade, ressaltou o comunista, foi elaborado um projeto de eletrificação no ano 2000, que apesar de ter sido aprovado em todos os trâmites burocráticos, até hoje não saiu do papel.

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Redacão Jornal do Sudoeste

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