Vereadora bom-jesuense fala sobre a baixa participação da mulher na política

DA REDAÇÃO

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A participação das mulheres na vida política brasileira começou há 83 anos. Mais precisamente em maio de 1933, quando na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, pela primeira vez a mulher brasileira pôde votar e ser votada em âmbito nacional. Noventa anos depois, as mulheres são maioria no universo de eleitores do país. Dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam que, nas eleições gerais de 2022, o número de mulheres eleitoras era de 82.373.164, o que representa 52,65% do eleitorado. Se os números sobre o eleitorado feminino, a cada eleição maiores, mostram uma evolução na participação das mulheres como cidadãs, entretanto, a ocupação de cargos públicos por mulheres envolvidas na política ainda é historicamente baixa. Assim como no Brasil, Bom Jesus da Serra, como em todos os demais municpios da região, apresenta uma expressiva desigualdade de gênero dentro da política.

No município de Bom Jesus da Serra, desde 13 de junho de 1989, data de emancipação política e administrativa de Bom Jesus da Serra, somente três vereadoras foram eleitas para a Câmara Municipal – Mônica Braga de Oliveira Matos (2004), Jussiane Mascarenhas (2008) e Romilda de Oliveira Santos Carmo (2020).

Foto (vereadora bom jesus da serra): Vereadora Romilda de Oliveira Santos Carmo (PcdoB). (Foto: Redes Sociais).

Para fazer um diagnóstico e falar sobre a participação feminina no Poder Legislativo de Bom Jesus da Serra, onde o eleitorado feminino, que representa 49% dos 8.550 eleitores inscritos, é significativamente restrita, o JS entrevistou, com exclusividade, a Psicopedagoga, líder sindical, ex-secretária municipal de Saúde e atual vereadora Romilda de Oliveira Santos Carmo, do PCdoB.

Confira os principais trechos da entrevista:

JORNAL DO SUDOESTE: O que justificou a senhora ter escolhido o PCdoB?

ROMILDA OLIVEIRA: No finalzino da década de 90 recebi da Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que era e segue liderada no municipio por militantes do PCdoB, a proposta para trabalhar como secretária na Entidade. Na época não tinha nenhum interesse partidário, porém, convivendo com a luta sindical e participando diretamente das ações do Partido no municipio e com o convite de Claúdio Bastos, Presidente do Partido no municipio naqule momento, aceitei a filiação e permaneço na militancia municipal até os dias atuais

JS: Nos 33 anos de emancipação política, Bom Jesus da Serra elegeu apenas três mulheres para o Legislativo Municipal (Mônica Braga de Oliveira Matos, em 2004; Jussiane Mascarenhas, em 2008, e a senhora em 2020). Nenhuma mulher ocupou a chefia do Executivo. Considerando que o eleitorado feminino do município é de 49%, qual seria, na opinião da senhora, uma explicação ou justificativa racional, para que a mulher bom-jesuense seja tão minoritariamente representada nos espaços de poder?

ROMILDA OLIVEIRA: Na realidade foram eleitas quatro mulheres ao longo destes 33 anos de emancipação política do municipio de Bom Jesus da Serra sendo Maria Gorete Correia (1992), Monica Braga (2004), Jussiara Mascarenhas (2008) e eu, Romilda Oliveira (2020). Quanto a mulher bom-jesuense ser minoritariamente representada nos espaços de poder é resultado da desigualdade de gênero construída e estimulada há séculos, vimos que as vereadoras que me antecederam desistiram da concorrencia no pleito seguinte, apenas a ex-vereadora Monica Braga que tentou concorrer na chapa majoritária, como candidata a vice-prefeita, chapa essa que não conseguiu chegar ao pleito, e maioria destas que chegaram ao Legislativo e não se propuseram a manter na luta política mostra claramente as grandes barreiras existentes para uma maior inclusão feminina e infelizmente essa desigualdade parte tanto do machismo, bem como da falta de reconhecimento, muitas vezes, das próprias mulheres no sentido de garantir um apoio mais decisivo para a classe feminina

 

 

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