A felicidade e o mal-estar atual

A felicidade não é um ponto de chegada. Ela é caminho. Ela está no caminho. Se olharmos a sociedade atual perceberemos que muitas pessoas vivem mal, sofrem de um mal-estar e de insatisfação. Aumentam as farmácias nas cidades e os livros sobre felicidade, nas prateleiras, são abundantes. Esses fenômenos estão deixando o povo mais saudável e feliz? Certamente não.

Não há um tempo na história da humanidade que se falou mais de felicidade do que atualmente. O excesso de discurso mostra que a busca por felicidade está na ordem do dia. Todos queremos encontrá-la. Ninguém quer viver angustiado e triste. Queremos respostas as nossas perguntas e aos anseios mais profundos. Muitos estão à procura de migalhas de felicidade. Não conseguem mais ser felizes com as pequenas coisas. Correm atrás de algo, que parece estar sempre a frente e longe de si.

A felicidade não é uma meta, mas é uma consequência. Ela é a colheita de tudo aquilo que fui fazendo e vou fazendo. É a colheita que vai acontecendo ao longo da vida. Não é a colheita final. É aquela satisfação e alegria que vamos encontrando no decorrer dos dias, por tudo aquilo que vamos plantando. Felicidade não se improvisa, e nem acontece independente de nossas buscas. Temos uma essência e a felicidade é estar conectado com essa essência, que cada um descobre em si. Essa é uma tarefa minha. Quando busco fazer o bem, ser ético, compreender-me como sou e me aceitar, evoluir nos pensamentos e nos padrões de comportamento, ser grato pela vida e honrar minha história e as pessoas com quem compus a minha vida, perceber nas coisas simples a beleza e retirar dali alegria e contentamento, então estou no caminho e a felicidade irá se apresentando pra mim como uma realidade.

Pessoas mais felizes se sentem mais confiantes e seguras. Não caminham sobre ovos, onde cada pequena coisa parece ser uma ameaça. Felizes não são pessoas que não tem sofrimentos ou que são poupadas dos sofrimentos, das dificuldades e dos obstáculos. As pessoas felizes conseguem ver além da própria realidade e dar um sentido novo e dinâmico ao cotidiano.

 

Em primeiro de outubro comemoramos o Dia Internacional das Pessoas Idosas. Por oportuno, apresento-lhes trechos de meu editorial na 24a edição da Revista LBV (Jan/Fev. de 1992), publicado anteriormente na década de 1980, pela Folha de S.Paulo, em que exaltamos os jovens da Melhor Idade:

Vivemos época de constante progresso material. Entretanto, não se verifica o correspondente avanço no campo da ética e do Espírito. Resultado: males como a fome, a violência e o desrespeito à Natureza perduram. E lamentavelmente as pessoas da terceira idade também são atingidas pela frieza dos sentimentos humanos.

É verdadeiro crime não se reconhecer o valor dos Irmãos idosos. Neste período da vida, mais do que nunca se fazem merecedores do carinho e da solidariedade dos mais moços, num justo reconhecimento à contribuição que legaram à sociedade.

Na LBV, não acreditamos em velhice como sinônimo de coisa deteriorada. Ninguém é velho quando tem um bom e grande Ideal. Pode não mais carregar um piano, não mais passear de motocicleta. Se possui, porém, ânimo dentro de si, é jovem. As pessoas a certa altura da vida precisam, com raras exceções, aposentar-se de seus empregos, mas não o devem fazer com relação à vida. Devem ir à luta enquanto puderem respirar.

A Legião da Boa Vontade mantém com o seu extenso trabalho de promoção humana e social Lares de amparo aos velhinhos e espaços saudáveis de convivência. Neles, os vovôs e as vovós são tratados com muito Amor e, o que é melhor, aprendem que nunca é tarde para colaborar com suas experiências, em prol de uma humanidade mais feliz, pois é a força dos bons exemplos que inspira as novas gerações a vencerem os obstáculos da existência terrena. (…)

Pode parecer um paradoxo. Todavia, o país que desampara os seus idosos não crê no futuro da sua mocidade. Que é a nação, além de seus componentes? Havendo futuro, os moços envelhecerão. Viverão mais. Contudo, também irão aposentar-se… Uma convicção arraigada do gozo imediato das coisas é a demonstração da descrença no amanhã. E há os que ainda moços pensam: “Vamos viver agora, antes que tudo acabe! E os que conseguiram resistir tanto, que se danem…” Não há exagero algum aqui. É o que também se vê. Tem-se a impressão de que alguns daqueles que desfrutam do vigor da juventude ignoram a possibilidade de alcançar a decrepitude. Mas poderão chegar lá… Não existe futuro sem moços. Também não o há sem os idosos.

Temos de aliar ao patrimônio da experiência dos mais velhos a energia dadivosa dos mais moços. (…)

Lutamos por um mundo que ofereça oportunidades para todos. E isto não é impossível. Impossível é continuar como está: a terrível paisagem das Almas ressequidas pela indiferença ao Amor de Deus, como os ossos secos da visão do livro do Profeta Ezequiel, 37:1 a 14. O nosso planeta tem de receber o sopro espiritual da Vida, pois é rico e muito amplo, com espaço suficiente para todo mundo. (…)

 

OBSERVAÇÃO: Os artigos publicados não traduzem a opinião do Jornal do Sudoeste. Sua publicação tem como objetivo estimular o debate de ideias no âmbito político, cultural, científico e social.

Padre Ezequiel Dal Pozzo

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