A reação política da sociedade brasileira pode vim tarde e violenta

Reiteradas vezes venho falando que não estamos vivendo momentos que podem ser considerados normais em nossa história, pois se em tempos recentes esboçamos a construção de uma sociedade civil organizada capaz de pautar politicamente os rumos políticos do país, agora pelo visto estamos literalmente mansos e deixando uma pequena parcela da classe política e dos setores econômicos imprimirem a marca de seus interesses em detrimento dos interesses políticos da maioria do povo brasileiro.
 
Com o advento das novas tecnologias da informação, principalmente com o surgimento das redes sociais e digitais, teríamos que melhorar a participação política da sociedade. Mas muito pelo contrário, não estamos conseguindo de fato fazer com que a maioria da sociedade brasileira faça o contraponto aos desmandos de uma pequena minoria no desmonte absoluto do Estado. A principal pancada na sociedade brasileira foi de fato a reforma trabalhista que entrará em vigor no próximo dia 11 de novembro, e ninguém, absolutamente ninguém, deu a mínima importância para ao assunto.
 
Nem mesmo no governo mais violentamente neoliberal, de Fernando Henrique Cardoso, a sociedade chegou a esse ponto de letargia em relação a esse retrocesso em que se alcança aos poucos o governo ilegítimo e impopular de Michel Temer. Quando FHC em seu primeiro governo escolheu como seu Ministro do Trabalho, Paulo de Tarso Paiva, e ele em uma palestra, na sede da Força Sindical em 1995 falou na desregulamentação da CLT, houve uma reação tão violenta politicamente da sociedade que o homem não demorou muito e foi derrubado do governo. Hoje simplesmente ninguém reagiu a tão violento atentado aos direitos dos trabalhadores, conquistados em décadas de lutas, e derramamento de muito sangue e muito suor.
 
Da forma como as coisas foram construídas politicamente pelo atual governo, que trabalha como empregado dos principais empresários do país, e principais mentores do mercado internacional, com uma sociedade amansada culturalmente pela Rede Globo de Televisão e seus tentáculos midiáticos, quando a sociedade brasileira descobrir tudo o que aconteceu em tempos recentes já pode ser tarde demais para reclamar e chorar o leite derramado. Duas coisas poderão acontecer então: ou a sociedade vai se acostumar com uma espécie de escravidão velada ou a sociedade reagirá violentamente, e aí perigosamente viveremos tempos cruéis politicamente falando.
 
Vozes mais sensatas da sociedade que formam opinião mais não têm capacidade política e estrutural para colocar gente nas ruas para reagir logo ao desmonte do Estado, já tem dito que mesmo que a sociedade descubra tarde demais as crueldades desse governo comprometido com interesses que não são nacionais, poderemos entrar numa crise social mais grave, e muito mais grave, do que a atual crise econômica e política por qual passamos, porque nesse processo entrará o fator da participação do cidadão que foi ludibriado politicamente. Poderemos sim, entrar numa crise que poderá se aproximar violentamente do que chamamos de guerra civil no país.

 

Teríamos que ser muito inocentes para acreditar que em tempos de tecnologias sociais avançadas, mesmo que a sociedade brasileira esteja ultimamente limitada politicamente, o povo quando descobrir que vai perder seus direitos mais elementares não reaja. Isso vai ser uma reação natural, mesmo que essa direita colonizada comprometida apenas com seus cofres, acredite piamente que os brasileiros são limitados politicamente e podem ser culturalmente alimentados por teses absurdas imprimidas pela Rede Globo, seus telejornais parciais e suas novelas nojentas. A roda da história é coisa que não deixa de girar!
Genaldo de Melo

Genaldo de Melo

Genaldo de Melo, 43 anos, sergipano radicado em Feira de Santana - Bahia. Gestor social e articulista. Desenvolve consultoria em elaboração de projetos sociais
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