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Bahia: Investimento em saúde do trabalho pode diminuir número de afastamentos nas empresas

Por Paulo Henrique Gomes

Investimentos em segurança do trabalho e promoção da saúde estão diretamente relacionados à redução de faltas ao trabalho e ao aumento da produtividade dos trabalhadores. Pesquisa do Serviço Social da Indústria (SESI), realizada com 500 grandes e médias empresas entre outubro de 2015 e fevereiro de 2016, mostra que 48% dos gestores ouvidos consideram que investimentos realizados em saúde do trabalho geram redução no número de ausências no trabalho.

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O Diretor da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, Gualter Maia, ressalta a importância das empresas se atentarem às condições físicas e psicológicas de seus colaboradores. “Se houver algum tipo de ação das empresas no sentido de fazer com que a saúde desses seus colaboradores possa melhorar a cada dia, contribuir para que ele possa ter não só uma saúde física, mas também uma condição mental de excelência, de boa qualidade. Isso vai contribuir para a empresa”, defende.

Os Centros de Inovação SESI são voltados para o desenvolvimento de soluções em segurança e saúde do trabalhador para atender às necessidades da indústria brasileira. O objetivo dos centros é desenvolver inovações para aumentar a segurança no ambiente de trabalho, e com isso, melhorar a saúde dos trabalhadores.

Localizados em oito estados, os centros trabalham, cada um, com uma temática específica para reduzir custos e melhorar a saúde e segurança dos trabalhadores e, com isso, aperfeiçoar a performance dos funcionários e colaborar com o aumento da produtividade e competitividade da indústria nacional.

Situado na Bahia, o Centro de Inovação SESI – Prevenção da Incapacidade tem como objetivo criar soluções para reduzir o número de ausências do trabalhador no trabalho e, dessa maneira, diminuir os custos das empresas com afastamentos. A coordenadora técnica de pesquisa, desenvolvimento e inovação do centro, Lívia Aragão, explica como a incapacidade do trabalho prejudica as empresas. “Esse fenômeno da incapacidade do trabalho, primeiro ele ganhou atenção em diversos países industrializados por causa da sua tendência de crescimento e alto custo. E que não é só para as empresas, é para a sociedade e para os indivíduos. Aqui no Brasil, só para ter uma ideia, existe uma tendência de crescimento também”, afirma.

Lívia também destaca alguns números relacionados a incapacidade e afastamentos que chamam a atenção. “Cerca de dois milhões e meio de benefícios por incapacidade do trabalho são concedidos anualmente pelo INSS. E cerca de 250 mil são por incapacidade permanente, ou seja, aposentadoria precoce especial por alguma questão de saúde”, afirma.

No local são desenvolvidos serviços e processos voltados para minimizar as despesas geradas pelas faltas não programadas dos trabalhadores. As tecnologias e conhecimentos produzidos são transferidos para as empresas, sempre seguindo as normas trabalhistas e previdenciárias. É o que explica Lívia Aragão. “O que a gente busca desenvolver, o centro de atuação, a gente atua para reduzir, desenvolvendo soluções para reduzir o absenteísmo ou ausências ou afastamentos do trabalhador da empresa e aumentar as taxas de retorno do trabalho”, disse.

Segundo o levantamento do SESI, 97,4% das empresas ouvidas executam programas ou ações voltadas para a prevenção de acidentes de trabalho. 87,8% dos entrevistados disseram fazer a gestão dos afastamentos por motivo de doença e 78,6% realizam ações voltadas para a reinserção de trabalhadores reabilitados.

Serviços oferecidos

As ações desenvolvidas no centro são voltadas para a capacitação de equipes ligadas à saúde e segurança no trabalho, como as áreas médicas e de recursos humanos das empresas. São oferecidos cursos em que os profissionais aprendem a aplicar as ferramentas de gestão. As metodologias ensinadas são baseadas em normas internacionais de prevenção e gestão da incapacidade para o trabalho.

A mineradora Vale é uma das empresas que utiliza os serviços disponibilizados pelo Centro de Inovação SESI com o objetivo de prevenir a incapacidade de seus funcionários. A analista especialista de saúde e segurança da empresa, Katya Câmara, destaca o trabalho desenvolvido em conjunto com o SESI. “O SESI participou e foi muito bacana a participação deles foi e está sendo fundamental porque aportou metodologias, trouxe algumas ferramentas que a gente incluiu em um consenso com toda essa equipe multidisciplinar. A gente incluiu e criou esse modelo, que a gente chama de modelo de gestão quando a gente fala de prevenção de incapacidade para o trabalho”, defende.

Katya Câmara destaca a relação entre os investimentos em saúde do trabalho e a produtividade das empresas. “A gente fala de afastamento, também impacta totalmente em produtividade. Então tudo que está relacionado a questão da prevenção da incapacidade, a ideia é que a gente reduza os afastamentos”, afirma.

O Centro de Inovação SESI também oferece consultoria realizada por profissionais para intervenções precoces em trabalhadores incapacitados e para o retorno às suas atividades. O serviço é inspirado em experiências internacionais bem-sucedidas com métodos estrangeiros em conjunto com programas de reabilitação profissional do SESI.

Além de reduzir o número e casos e tempo de afastamento, a consultoria também tem como objetivo receber trabalhadores que estiveram afastados. Após o trabalho, o SESI continua em contato com a empresa e se mantém disponível para outras intervenções.

Parceiros internacionais

Finnish Institute of Occupational Health (Finlândia) – Atua no desenvolvimento de um novo paradigma, soluções, ferramentas e consultoria na temática Prevenção da Incapacidade. O instituto também oferece suporte para adequar as soluções e ferramentas ao contexto jurídico e cultural do Brasil, além de treinamento para os profissionais do centro para execução de projetos-piloto.

Jornal do Sudoeste

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