Estado se exime de responsabilidades na crise do desabastecimento de água

A propaganda que o órgão estatal da Bahia responsável pelo abastecimento de água e saneamento vem fazendo em Vitória da Conquista, refente à crise no desabastecimento de água, possui um objetivo único: eximir o Governo da Bahia pela culpa na falta de água na cidade de mais 343 mil habitantes (Ibge 2015).

Soa como uma clara subestimação à inteligência alheia a propaganda que vem sendo divulgada em outdoors da cidade pela Embasa (Empresa Baiana de Águas e Saneamento).

A falta de chuvas interfere na crise do desabastecimento, mas o problema poderia, talvez, estar num patamar menos preocupante se o Inema (Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos) e a própria Embasa atuassem de forma efetiva no combate às ligações clandestinas de água dentro da cidade e no gritante roubo de água diretamente das Barragens de Água Fria I e II (em Barra do Choça e de onde vem a água para Vitória da Conquista) e do Rio Catolé por parte dos grandes agricultores.

Soma-se à inoperância governamental a “tradicional” falta de cumprimento de promessas por parte do Governo da Bahia na construção da Barragem do Rio Catolé, orçada em R$ 210 milhões e depois “improvisada” em adutora para tentar ajudar de alguma forma no abastecimento.

O Governo da Bahia faz promessas, cobra da população menos gastos de água, impõe um racionamento, reajusta o valor da água em 9,95% e permite que se prolifere a anarquia — como bem colocou o promotor público estadual Carlos Robson Leão em recente palestra sobre o assunto — ao não fiscalizar o consumo clandestino de água.

Permite que a situação chegue ao ponto em que está para, só agora, anunciar que, finalmente, irá fazer o que já deveria ter feito há muito tempo. É para isso que o secretário Eugênio Spengler (do Meio Ambiente, pasta a qual é subordinado o Inema) estará em Vitória da Conquista junto com o presidente da Embasa, Rogério Cedraz.

Espera-se explicações sobre como esta fiscalização será feita, pois o Inema de Vitória da Conquista atende a 96 cidades da região e conta com apenas 13 técnicos para fiscalizar e desenvolver outras atividades.

Em tempos de corte de gastos, o que provavelmente ocorrerá, é o Governo da Bahia sobrecarregar os funcionários do Inema com fiscalização, deixando de lado outras atividades essenciais ao desenvolvimento econômico, como a emissão de licenças ambientais para a construção de obras.

Segundo divulgou a Embasa no sábado (11), “os gestores vão apresentar e detalhar as ações planejadas e executadas pela Embasa e pela Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento da Bahia, como a instalação de novos equipamentos para ampliar a capacidade de captação de água diretamente do Rio Catolé”.

Ainda segundo a nota, “neste período de racionamento, a oferta de água foi reduzida em 37,5% e o volume distribuído diminuiu de 48 milhões de litros, por dia, para 30 milhões”.

Decorridas as três semanas do início do racionamento, a Embasa diz ter constatado que a população não se adaptou à nova realidade e o consumo de água, em alguns pontos da cidade, aumentou por causa do armazenamento inadequado por uma parcela de usuários que não adotaram práticas de consumo racional.

“Essa situação tem afetado a distribuição equânime para outros locais da cidade. O esforço da Embasa para garantir a continuidade do fornecimento de água depende da compreensão e contribuição direta da população, tanto na redução do consumo, quanto para informar vazamentos e denunciar o uso clandestino de água”.

Neste quesito, a Embasa tem razão. Em tempos de crise, é preciso que a população seja crítica para não se deixar enganar pela propaganda oficial, de que o problema é só da falta de chuva, mas também precisa fazer a parte dela e economizar água.

Redacão Jornal do Sudoeste

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