Fábrica de cimento demite mais da metade dos funcionários na Bahia

Mais de 200 trabalhadores foram demitidos da fábrica de cimento Itaguarana, localizada no trecho da estrada que liga as cidades de Tanhaçu e Ituaçu, no sudoeste da Bahia, há duas semanas.

Segundo os funcionários, eles foram desligados sem aviso prévio e estão com três meses de salário atrasado. As demissões equivalem a cerca da metade do total de empregados da empresa.

A fábrica empregava moradores de três cidades da região: Ituaçu, Barra da Estiva e Tanhaçu e, por isso, a demissão atingiu o comércio da região. O setor jurídico da fábrica informou que a direção preferia não se pronunciar sobre as demissões.

A demissão foi uma surpresa para pais e mães que dependiam do emprego para sustentar as famílias. O pintor industrial Luiz Carlos Oliveira era funcionário da fábrica há quase vinte anos. “Eu fui para assinar as férias no dia 28 e já assinei a demissão. Foi uma surpresa, não sabia de nada”, afirma Luiz Carlos.

Os funcionários demitidos não receberam os direitos trabalhistas como FGTS rescisão e seguro desemprego. “Ninguém foi procurado, ninguém foi avisado de nada e estamos aguardando que a empresa se pronuncie, porque não estamos entendendo porque essa situação”, diz a analista fiscal Luciane Mendes.

Por causa do atraso no pagamento dos trabalhadores, as consequências também são sentidas pelo comércio das três cidades onde os funcionários moravam. Em um mercado de Ituaçu, por exemplo, o dono calcula que o prejuízo seja de R$ 40 mil nos últimos três meses.

“Todos os funcionários que foram demitidos compravam com a gente, inclusive tem muitos que estão [com pagamentos] atrasados. É uma situação que comove a gente, porque é difícil”, diz o comerciante Hermínio Braz de Oliveira.

No sábado (9), os trabalhadores demitidos fizeram uma manifestação pelas ruas de ituaçu com faixas, cartazes e carros de som. Eles buscam solução com urgência. “Estamos estudando a medida cabível, que será um pedido de antecipação de tutela para liberar ao menos, de imediato, o FGTS, que está redito, e o seguro desemprego”, diz o advogado Messias Amaral.

Em 30 anos de funcionamento na região, essa é a primeira demissão em massa na unidade. A capacidade de produção da fábrica é de 1 milhão de toneladas de cimento por ano, o equivalente a 20 milhões de sacas de 50 kg.

Redacão Jornal do Sudoeste

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