O Direito em tempos de pandemia

O surgimento da advocacia pode ser imputado aos gregos, pois os logógrafos, considerados os primeiros cronistas e historiadores da Grécia, são apontados como os precursores dessa desafiadora carreira. A trajetória desses abnegados não foi fácil, assim como não o é o trabalho dos profissionais do Direito na contemporaneidade, tendo em vista a crise global de grandes proporções que enfrentamos com a pandemia do novo coronavírus.

Estamos acompanhando decisões tomadas por empresas e governos, que impactarão o futuro da humanidade nos próximos anos. Mudanças velozes nos sistemas de saúde, na economia, na política e na cultura, demandando um agir rápido e assertivo para a garantia da sobrevivência do profissional.

Inúmeros escritórios e bancas de advogados estão operando quase totalmente em home office, com resultados que em muitos casos revelam aumento de produtividade de suas equipes. Exemplo disso, recente pesquisa realizada pelo LinkedIn mostrou que 33% dos entrevistados consideram que são mais produtivos e criativos trabalhando em casa, já que estão sofrendo menos interrupções, e 41% acreditam que o uso da tecnologia para se comunicar será mais comum no ambiente profissional, mesmo quando tudo voltar ao normal. Por outro lado, 62% afirmaram que se sentem mais estressados e ansiosos com a rotina de trabalho do que antes e 31% consideram as distrações do home office um desafio.

Nesse novo cenário, ou novo normal como muitos estão chamando, a “advocacia 4.0”, vai além da mera classificação que pode ser associada às mudanças no que se convencionou chamar de IV Revolução Industrial. Para os chamados operadores do Direito, estamos diante de um novo desafio em que a tecnologia permite trabalhar de forma descentralizada e transformando a forma como nos comportamos e nos relacionamos com os outros a nossa volta. A inteligência artificial, plataformas online e ferramentas que possibilitam videoconferências têm contribuído para a diminuição da distância física, agilizado os processos e dado andamento às atividades durante o isolamento social.

Necessário se faz avaliar todas as consequências a longo prazo dessas opções. Entre as alternativas, há que se considerar não apenas como superar as dificuldades imediatas, mas também como a sociedade funcionará após a pandemia. Afinal, o surto de coronavírus passará, mas estaremos em um mundo diferente.

Sobreviverá o profissional que se adaptar mais rapidamente à nova realidade – além do conhecimento técnico indispensável à profissão, o advogado precisa desenvolver diversas softskills, entre elas resiliência e flexibilidade. A competência, o dinamismo e o comprometimento serão fundamentais, mas creio que a capacidade de diálogo e a criatividade para se inserir na comunidade, entendendo a importância da verdade nas relações entre o advogado e toda a comunidade que o cerca, relação que não pode ser permeada por dúvidas e ambiguidades, sob pena de quebrar os fundamentos da profissão, serão dois fatores decisivos.

Sergio Luis Brito

É professor de Direito da Pitágoras Brumado e especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário.
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