O final de semana e a pandemia

Mais um sábado com cara de dia de semana, 18 de abril, e sábado é dia de Rua das Pretas, com ou sem coronavírus. Com a pandemia em ser, tudo fechado em Lisboa – e em quase todo o mundo – qualquer reunião  proibida, o espetáculo – ou concerto, como se diz aqui em Portugal – agora é on line, virtual, seguro para todos que se apresentam e também para que assiste. Então vejo e ouço a tertúlia apresentada pelo Pierre, criador do novo e revolucionário formato do Rua das Pretas – música intimista com bons vinhos portugueses como se fosse na sala da gente –  com a participação de cantores brasileiros, portugueses e de outros países, através do  Zoom, abençoada tecnologia, enquanto escrevo este capitulo de hoje do meu diário da pandemia. Música popular brasileira, música portuguesa, música do mundo da melhor qualidade.

Pra começar, vamos falar de coisa boa, que depois vamos ter de falar também do vírus virulento, que ataca o mundo todo. Pois esse diário é publicado em meu blog, CRÔNICA DO DIA: http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br, e o blog é divulgado na minha página e na página do nosso Grupo Literário A ILHA, no Face, no Instagram, etc. E recebemos comentários no próprio blog, no face, no Whatsapp, no Messenger. Procuramos, aqui neste diário, falar destes dias de isolamento, de como passamos o tempo, o que fazemos, de maneira leve e até de bom humor, quando é possível. E aí a gente recebe uma ligação de Los Angeles, da  diva Silvia Aderne, atriz do Cirque du Soleil, contadora de história master, para dizer que está lendo o meu Diário da Pandemia todos os dias, que tem gostado muito, porque ela gosta de poder saber do cotidiano de outras pessoas numa situação que nunca enfrentamos antes. E falou mais tanta coisa bonita que fico acanhado de aqui reproduzir, pois acho que nem mereço. Não é reconfortante, não é gratificante? É por coisas assim que vale a pena escrever. Obrigado, Silvia, desde que a conheci, agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de encontrá-la em meu caminho, de poder usufruir da amizade de uma pessoa tão fantástica. Grande beijo.

O dia aqui na Luzboa foi lindo hoje e dá uma vontade danada de sair à rua. Mas não dá pra facilitar a propagação do coronavírus, senão muito mais pessoas podem perecer e a nossa economia, a economia mundial será mais e mais destroçada e nós ficaremos sem emprego, sem lugar pra trabalhar e sem isso não se vive. Mas como as autoridades portuguesas começaram a mencionar um possível início da liberação do comércio e das atividades no país, para retomar a economia, a partir de maio,  parece que as pessoas estão tomando isso como uma autorização para sair de suas casas e já tivemos, ontem e hoje, um pouco mais de pessoas nas ruas, pelo menos aqui em Lisboa. Como já disse antes, esperemos que a curva comece o seu declínio, pois o povo cumpriu, até agora, o isolamento e isso tem funcionado. O número de mortes aqui em Portugal, hoje, foi de 657. E os casos confirmados são 19.022. Há uma certa estabilidade na progressão desses números, tem até baixado um pouquinho nos últimos dias e esperemos que este seja o fim do pico, para em seguida começar a cair.

No Brasil, onde o presidente vem instigando o povo a sair de casa há bastante tempo, dizendo que as pessoas têm que trabalhar, há muita gente na rua, nos últimos dias, conforme tenho visto na CNN Brasil e tenho sabido por amigos de lá. E, pra variar, os brasileiros não tem que suportar só a pandemia, tem que aturar também a animosidade entre o presidente e Rodrigo Maia, entre outras politicagens. É lamentável.

Temo que o pico não tenha chegado lá e que essa liberação quase geral venha a aumentar muito as infecções pelo coronavírus. Espero que não, mas temo que sim, pela situação que vem se desenhando. O número de mortes na nossa terra tupiniquim é, até agora, de 2.141. Casos confirmados somam 33.682. Mas segundo quem entende do assunto, se houvesse um número de testes adequados – a quantidade de pessoas que vem sendo testadas é muito aquém do que seria necessário – esses números não devem refletir a realidade, pode ser bem maior. Espera-se que não, mas as evidências…

O isolamento aqui em Portugal já passa de um mês, mas seguimos bem, pois temos Rio, o nosso neto português, que acabou de completar um ano, para nos fazer companhia e nos dar alegria todos os dias. Hoje li um pouco, ouvi música, tomei sol com o Rio e comecei a revisão do meu livro de crônicas. Fiquem bem, todos, e não saiam de casa, a não ser que seja estritamente necessário. Com máscara e álcool gel. E vejam mais capítulos do diário da pandemia no meu blog CRÔNICA DO DIA, em http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br.

Luiz Carlos Amorim

Luiz Carlos Amorim

Coordenador do Grupo Literário A Ilha em SC, com 31 anos de atividades e editor das Edições A Ilha, que publicam a revista Suplemento Literário A Ilha e mais de 50 livros editados. Eleito Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras. Editor do portal ProsaA, Poesia & Cia. (Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br ) e autor de 27 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior.  Blog:  http://lcamorim.blogspot.com
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