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O que representa Ulisses para os desafios da Democracia hoje

Que haja divergências, dentro de qualquer sociedade, na maneira de pensar, é natural. Essa legítima divergência abrange todos os campos do comportamento humano. Nossa reflexão nesta palestra cuidará apenas das divergências políticas. Só na ditadura decreta-se a unanimidade. Justamente para abrigar as diversas tendências, programas de governo, concepções de mundo, criaram-se os partidos políticos.
Há porém uma grande diferença entre divergir e odiar.
Divergir é pensar diferente e ter receitas diferentes para enfrentar os mais diversos problemas. A divergência democrática respeita o território da consciência individual.
Odiar é não aceitar o divergente, é proscrever o divergente, é reduzir o divergente ao silêncio. Esse tipo de ódio é incompatível com a Democracia.
Vejo um clima de muito ódio no Brasil de hoje.
Sem Ulisses Guimarães não teria ocorrido no Brasil a travessia da ditadura para a Democracia.
Ulisses foi o grande timoneiro dessa viagem histórica.
Graças a sua sabedoria e autoridade moral, Ulisses detinha a senha milagrosa para conversar com gregos e troianos, figuras exponenciais do regime que se desejava ultrapassar e líderes do regime que se queria instituir.
Sem Ulisses não teríamos a Constituinte e a Constituição de 1986, Constituição democrática votada por uma Constituinte livre que o grande Ulisses Guimarães comandou com firmeza, habilidade, sabedoria, espírito público, humildade, respeito à divergência.
Para enfrentar os desafios da Democracia no Brasil de hoje o exemplo de Ulisses é fundamental. Buscar o diálogo e não o confronto. Não pretender ser o dono da verdade, mas encontrar sementes de verdade onde supostamente só haveria erro. Abster-se de apedrejar. Buscar a flor no campo que parecia estéril. Jamais virar as costas numa atitude de desprezo mas, pelo contrário, olhar nos olhos e captar o que existe de bom em cada um. Como Charles Chaplin nos ensinou: Precisamos mais de bondade e ternura do que de inteligência.
Os heróis não morrem. Ulisses está vivo. Salve Ulisses Guimarães!
João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, 74 anos, é professor pesquisador da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha (ES) e palestrante Brasil afora. Autor do livro Mulheres no banco dos réus – o universo feminino sob o olhar de um juiz (Editora Forense, Rio, 2009). E-mail: [email protected] Homepage: www.jbherkenhoff.com.br
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