SIM swap: entenda mais sobre a nova armadilha de cibercriminosos

Número de celular é transferido de um chip para outro; especialista explica como se proteger

Por: Letra Comunicação & Marketing

Os crimes cibernéticos já fazem parte do cotidiano. Com esse crescimento, os criminosos criam meios  inusitados para agir, o mais recente é o SIM Swap. “Ele começa com a clonagem do chip da vítima, para  ter acesso às mensagens, senhas e aplicativos de banco. A apropriação do número de telefone de outra pessoa é facilitada pelo vazamento recorrente de dados na internet. Com informações como CPF, RG e endereço de alguém, os bandidos ligam para operadora de celular e pedem a transferência das configurações da linha telefônica da vítima de um chip para outro”, explica o advogado criminalista Ciro Chagas.

Após realizar a operação, o chip anterior deixa de funcionar imediatamente. “Com o número de telefone da outra pessoa, o criminoso pode ligar para todos os contatos da vítima ou entrar em contato via WhatsApp para aplicar inúmeros golpes”, alerta.

Segundo Ciro, após realizar tal transferência, existe uma certa facilitação da alteração de senhas, acesso a e-mails e a instalação de tokens de bancos. Isso ocorre pois, uma vez que o chip esteja em posse do fraudador, ele consegue validar códigos de segurança encaminhados, por exemplo, por SMS. “Bastaria ele acessar o ‘esqueci minha senha’ e solicitar a validação por esse caminho. No caso dos bancos, o golpista pode ligar na central e informar que trocou de aparelho e precisa do token. Neste passo, o fraudador precisa estar com alguns dados da vítima em mãos e a senha da conta, que pode ser obtida caso o titular tenha sido vítima de uma página falsa”, esclarece o advogado.

Cuidados

A primeira dica é ter uma senha segura. “Ter senhas fortes é fundamental para evitar muitos golpes, e no caso do SIM Swap não é diferente. Como o golpista provavelmente terá muitos de seus dados, colocar uma senha como a data do aniversário vai facilitar o trabalho dele na hora de entrar em um aplicativo em seu celular”, exemplifica.

No caso das redes sociais, ative a verificação em duas etapas. “Mesmo com acesso ao SMS para conseguir ativar o aplicativo, o golpista terá que colocar uma senha e não terá acesso”, sugere Ciro.

Se for vítima do golpe, ou suspeita ter sofrido o golpe, é preciso entrar em contato com a operadora. “Os consumidores também podem contatar a Anatel pelos canais de atendimento disponíveis no site. Também é importante fazer um Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil”, frisa.

De acordo com a Anatel, há medidas para prevenir e cessar a ocorrência de fraudes envolvendo os serviços de telecomunicações. “As operadoras precisam investir cada vez mais em tecnologia de segurança para bloquear esse tipo de ação criminosa. Além disso, as empresas como bancos, fintechs, redes sociais e etc, devem investir em tecnologias de análise de dispositivo, como as AllowMe, que permitem analisar o comportamento de localização, redes acessadas, reputação de IP e dispositivo, entre outras variáveis”, finaliza.

Fonte: Ciro Chagas, advogado criminalista. Sócio do Chagas Hespanhol Advogados, Especialista  e Mestre em Direito Penal Econômico. Atualmente, na Universidade Federal de Minas Gerais, realiza estudo de tese doutoral sobre o processo regulatório de criptoativos e práticas de prevenção à lavagem de capitais-PLD.

 

 

 

Foto de Capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

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