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10% apenas poderá ser a renovação na Câmara dos Deputados

Por mais que haja esperança de parcela da sociedade brasileira de que em outubro possa haver uma renovação naquele vergonhoso Congresso Nacional, as expectativas de fato que isso aconteça morre na quase certeza de que isso pode ser apenas uma grande ilusão dos cidadãos sérios nesse país.
Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), a renovação nas eleições de outubro, será menor do que a média histórica. O cansaço com os atuais políticos e o provável aumento nos votos nulos, brancos e abstenções seguem altos, como herança da crise política, mas as regras criadas pelos próprios parlamentares na reforma política, e a necessidade de muitos de manterem o foro privilegiado pela multiplicação das investigações de corrupção, diminui as expectativas de mudanças.
 
E mesmo que isso ocorra, poderá ser apenas simbólico, pois muitos políticos, abrirão espaço para filhos e parentes com o objetivo de manter o clã familiar no poder. Existe ainda o caso dos parlamentares que perderam o fôlego eleitoral e que, sem condições de disputar eleições majoritárias para senador, serão candidatos a deputado Federal.
Nas últimas cinco eleições para a Câmara, a média de renovação tem se mantido estável, na casa dos 45%. Nas últimas sete disputas, a maior renovação aconteceu em 1989, quando 61,82% dos deputados que assumiram em 1990 não estavam lá um ano antes. Mas aquela eleição tinha características peculiares, pois foi a primeira que eleitores acima de 16 anos votaram. E além disso, foi casada com o primeira eleição presidencial após a redemocratização, o que aumentou a atenção dos brasileiros para a política.
Como as máquinas partidárias no Brasil praticamente têm donos que vão controlar o fundo partidário e as próprias estruturas das campanhas eleitorais, segundo os especialistas, e os prognósticos claros dos próprios atuais parlamentares, a renovação pode ser de apenas 10%. Ou seja, como tivemos o pior Congresso Nacional da história política brasileira, tudo pode ficar pior ainda para desgosto dos brasileiros que não sabem ainda votar.
Genaldo de Melo

Genaldo de Melo

Genaldo de Melo, 43 anos, sergipano radicado em Feira de Santana - Bahia. Gestor social e articulista. Desenvolve consultoria em elaboração de projetos sociais
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