Marcos Feliciano é representante de algum Deus ou do Satanás?

Se já é complicado compreender a participação de líderes religiosos na política, aliás ter que aceitar porque em tese vivemos numa democracia, imagine a participação de religiosos fundamentalistas, e que em determinadas atitudes parecem como ignorantes culturais ao não aceitarem a diversidade de culturas, de religiões e de pontos de vistas diferentes em temas relacionados ao mundo da convivência social e humana.

É difícil mas não podemos deixar de notar que alguns homens que se arvoram na qualidade de pastores evangélicos, quando enveredam pelo caminho da política, ultrapassam a linha do que o próprio ensinamento de Cristo prega (tem exceções, é lógico!). Homens que se travestem de reserva moral, mas pregam nas entrelinhas de seus discursos a violência com os seus contrários, não são pastores evangélicos, são algozes representantes da maldade humana, que nada tem de Deus.

Nesse sentido, o papel do famoso pastor deputado Marcos Feliciano (PSC/SP) deixa a desejar a qualidade de cristão que ele tanto prega e diz que é, quando chega a agredir a inteligência dos outros brasileiros quando diz que quando um “esquerdista” leva um tiro a bala demora mais tempo para encontrar seu cérebro, e matá-lo.

Dizer uma coisa dessa natureza e dizer que é cristão é no mínimo uma maldade com a própria imagem divina, e com a história do próprio Jesus Cristo, que ele tanto fala que é discípulo. Parece que o Cristo dele é diferente do Cristo de outros seres humanos. O Cristo que ele inventou para ele não gosta de alguns seres humanos, ou então ele é discípulo do Satanás que ele tanto fala também, e mente que é cristão.

Ou ele acha que o povo é burro (considerando que os seus eleitores podem não ser burros, mas ludibriados), ou ele é um completo ignorante do que significa democracia, de conviver com os diferentes, com os que também não são cristãos mas são humanos, ou ele é um espécie rara de doente que acredita que o mundo só será perfeito quando ele não for mais contestado na sua ímpia e doentia necessidade de ser pastor e deputado ao mesmo tempo, como se isso tivesse alguma relação numa sociedade laica.

Confesso que fiquei estarrecido, e somente agora depois de algum tempo de sua entrevista na Rádio Pan, é que resolvi escrever sobre o assunto. Que Deus é esse que ele tanto fala, e faz tudo ao contrário? Imagine um indivíduo desse aliado de uma turma perigosa chegando ao poder no Brasil! Se fala tanta bobagem sendo pastor como se fosse um enviado do Satanás (que é o pai da mentira e da divisão na teologia ocidental), imagine o que não seria capaz de fazer com o resto do povo brasileiro que não comunga com as suas maldades humanas.

Talvez a primeira coisa desse homem, e de seus amigos, seria tocar fogo nas bibliotecas do país para que ninguém pudesse ler Tolstoi, Spinosa, Schopenhauer e outros homens que falaram mais sinceramente e viveram mais em Deus do que esses doentes mentais! Isso não é coisa de se azucrinar, é coisa de se preocupar mesmo com os resultados das próximas eleições no Brasil. As trevas estão se aproximando perigosamente!

Genaldo de Melo

Genaldo de Melo

Genaldo de Melo, 43 anos, sergipano radicado em Feira de Santana - Bahia. Gestor social e articulista. Desenvolve consultoria em elaboração de projetos sociais
Categorias