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O cuidado às tecnologias.

É a globalização. E com ela, estamos vivendo uma espécie de intoxicação informacional. É de conhecimento geral que somos bombardeados diariamente com informações vinda de todos os meios, formas e cores; o que  angustia, visto que na maioria das vezes não temos nem sequer tempo de filtrar tais informações – retifico: não temos mesmo tempo de filtrar todas as informações  diante dos muitos processos tecnológicos que por sua vez, sofrem constantes e rápidas mudanças, e assim, nos vemos correndo contra o tempo para absorver e entender tantos conhecimentos.

Em visita ao Brasil, no ano de 2015, o renomado Sociólogo Polonês Zygmunt Bauman em palestra no Encontro Internacional – Educação 360, afirmou que “há uma crise de atenção”. Justifica o sociólogo a crise, referindo a estudantes. Ele alegou que o déficit de atenção sofre influência pela tecnologia. É sabido que a tecnologia é a ferramenta final como meio de se buscar informações. Porém, se de lado o Google fornece todos os tipos imagináveis de respostas, por outro, caso não havendo controle, esta mesma tecnologia tornam pessoas e principalmente jovens estudantes alienados e com dificuldades de concentração, diante de bombardeios de instantâneas informações; o que Bauman chama de “fragmentos de conhecimentos”.

Vale salientar que com a chegada da tecnologia, tudo mudou ao nosso redor e cotidiano. Isso é bom. Nada mais é como antes. Essas mudanças favoreceram a humanidade evoluções exponenciais. Tudo melhorou, no sentido que facilitou nosso método de educar, na medicina que deu passos oceânicos, nas diversas formas de comunicar; enfim, estreito distancias, promoveu educação a lugares remotos, é uma realidade fazer procedimentos cirúrgicos a longas distâncias, etc. Podemos assim dizer, que esta magnífica ferramenta (tecnologia), faz parte no desenvolvimento histórico social da cultura humana.

Entretanto e voltando aos conceitos de Bauman, quando ele afirma que há uma crise de atenção; pode se afirmar que atualmente, e apesar de tantas facilidades no campo do conhecimento, nunca se teve pessoas tão poucos interessados em obter conhecimentos. Isto se dá devido a surgimentos de informações instantâneas de todas as partes e assim, tende se a comprar tudo que é vendido sem tempo de avaliar a qualidade e veracidades das informações. Com tudo isso, Bauman quis pontuar que esses fatos, que as informações são fragmentadas e no que tange aos muitos adeptos desenfreados dos meios de obterem informações, pode de certa forma, terem suas formações de opiniões também fragmentadas.

Destarte que não cabe aqui fazer críticas desconstrutivas quanto ao uso das ferramentas tecnológica. O que se pontua aqui é como o uso indiscriminado desta influência de maneiras positivas ou negativas em nossos conceitos de opiniões, assim como implicam nas atitudes comportamentais e condutas. Dessa forma, o uso cada vez mais assíduo de tecnologias modernas (celulares ou computadores/outros), leva ao homem a Nomofobia, que vem do inglês “no mobile”, foi o nome dado para a doença que causa pânico e angústia na falta do celular; já que é o homem o centro desses processos.

Desse modo, com a rapidez que tudo se modifica, os processos tecnológicos causam certas ansiedades por parte do homem que se encontra no olho do furacão das mudanças. Visto que tudo muda muito rápido, como as ideologias, os processos, as opiniões, as relações enfim, tudo muda rápido. Tudo é pressa. E assim, concretiza uma espécie de conhecimento liquido, ou seja, onde nada é solido nada são absorvidas integralmente, assim, as formações advindas dessas informações são instantâneas, não são douradoras, o que leva ao homem a uma angustia por se encontrar sempre em busca diante de tantas janelas de conhecimentos abertas e pouco dela se conseguem reter.  São reflexos de características do mundo contemporâneo.

A tecnologia veio para navegarmos nela. Contudo, estamos afogando nela, sufocando a um bombardeio de informações que nos deixa atormentados. Ainda não conseguimos acompanhar a velocidade tecnológica, e por sermos organicamente lentos comparando à tecnologia, vivemos em um mundo desregrado e alguns tendem a buscar referências a estes posts das informações tecnológicas; visto que nos encontramos em déficit de referências reais como nas esferas governamentais, pais e mães.

Logo, é imprescindível conscientizarmos da urgência em avaliar como estamos usando as ferramentas tecnológicas, e principalmente, o que estamos absorvendo e repassando. Visto que tais processos tecnológicos vieram para ficar, já que também nos proporcionou significantes alterações benéficas ao homem. Entretanto, o que se questiona é: para essa geração desconcentrada há cura? Terá remédios para essa liquidez ou teremos que buscar meios de pontear essa transição? Não nos cabe apontar aqui uma solução diante dessa avalanche de informações, cabe-nos apenas um ponto de vista a do cuidado.

Luciana Reis

Luciana Reis

Brumadense, Especialista em RH e Gestão Pública.
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