O racismo estrutural e a escola

Enquanto muitas pessoas celebram em novembro o mês da Consciência Negra e outras fazem mobilizações e protestos pelo fim do racismo latente em nossa sociedade majoritariamente negra, a grande maioria das pessoas faz confusão conceitual sobre o assunto.

Grande parcela da sociedade brasileira é racista e ninguém, absolutamente ninguém, está interessado em combater o problema nas raízes. Tacitamente grande maioria das pessoas é racista, mas somente é reconhecida como tal quando manifesta o racismo em atitude extravagante ou opinião verbalizada polemizada por formadores de opinião.

E criminalizar um indivíduo por atitude racista parece mais fácil do que buscar nas raízes das iniciativas educacionais a solução do problema. Preparam-se indivíduos para tentar resolver o racismo individual, mas não se busca resolver o problema estrutural, através dos sistemas curriculares da Educação Pública e privada.

Procura-se as premissas do racismo em tudo que se enxerga e em tudo que se ouve, mas ninguém propõe a solução para resolver em longo prazo o problema com os instrumentos de que dispõem as próprias instituições governamentais e não-governamentais.

Chega-se a dizer o óbvio de que o racismo é cultural. Mas é mais do que imbecil repetir esse mantra do racismo como resultado de nossa formação cultural. Se as escolas não trabalham conteúdos exigidos em lei para preparar as novas gerações de que a cor do sangue é vermelha em todo mundo, as próximas gerações serão de novo preparadas para acharem e agirem contra o racismo apenas como iniciativa individual de brancos ou imitadores de brancos.

O racismo é latente na ação de cada indivíduo racista, mas ele é resultado da estrutura sistêmica de nossa cultura, e de nossa formação propriamente dita, resultado de nosso sistema de Educação desde os primórdios dos primeiros sistemas educacionais do Brasil colônia.

Se alguém ou instituição pretende eliminar o racismo da sociedade brasileira, apenas criminalizando o indivíduo que somente se torna reconhecidamente racista quando manifesta seu racismo, nunca o racismo vai ser passível de solução. A solução do problema deve ser tratada como resolução de longo prazo. Os instrumentos que existem hoje somente transformam a luta contra o racismo em modismo e processos de emulação. A solução continua sendo a escola.

A escola precisa ser o espaço para trabalhar sistematicamente para preparar as gerações futuras para imprimirem fatos sociais que se traduzam na compreensão e aceitação natural de que somos diferentes como tudo na natureza é diferente. É vontade política de homens e mulheres de todas as cores e de todas as raças dentro da escola que pode eliminar o racismo na sociedade brasileira. O fim do racismo está na Educação, tanto privada, como na Educação Pública, de qualidade, gratuita e democrática. (publicada originalmente na revista Noite e Dia de Feira de Santana).

Genaldo de Melo

Genaldo de Melo

Genaldo de Melo, 43 anos, sergipano radicado em Feira de Santana - Bahia. Gestor social e articulista. Desenvolve consultoria em elaboração de projetos sociais
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